Corporações precisam ampliar seu papel na defesa de interesses e na diplomacia; incertezas e riscos de cenário internacional demandam agilidade e capacidade de adaptação das indústrias

Florianópolis, 20.03.2026 - As indústrias brasileiras precisam incorporar variáveis políticas e riscos internacionais em seus planos de internacionalização para sobreviverem a um mundo em rápida transformação. A avaliação é do superintendente de relações internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Frederico Lamego, em palestra realizada durante a reunião de diretoria da Federação das Indústrias de SC (FIESC) na última sexta-feira, 20.

 “A diplomacia e a defesa de interesses não são mais exclusivas do Estado, mas passam obrigatoriamente pelas corporações.”


O Fator Estados Unidos
Durante a reunião, Lamego fez uma análise das medidas tarifárias dos Estados Unidos, com base em missões da CNI ao exterior e conversas com agentes políticos e consultores para entender o mindset do governo americano. Segundo ele, a atual política comercial dos EUA está ligada à frustração da classe média local, cuja renda per capita estagnou nos últimos 40 anos. 

“As medidas anunciadas por Trump são uma resposta a esses eleitores e suas insatisfações”, afirmou. A arrecadação proveniente das tarifas permitiria, por exemplo, subsídios aos americanos, como descontos no imposto de renda, explicou.

A suspensão da cobrança das tarifas recíprocas, determinada pela Suprema Corte dos EUA, frustrou essa estratégia. Por isso, a expectativa é de que o governo dos Estados Unidos utilize outros mecanismos legais para impor novas taxas. Lamego destacou que o Brasil e mais 50 países já estão sob uma nova investigação que apura denúncias de "trabalho forçado". O Brasil ainda enfrenta escrutínio sob a Seção 301 e a Seção 232.  Diante da possibilidade de novas tarifas, a CNI e a FIESC têm recomendado que os industriais ampliem seus esforços na captação de novos mercados. 

Desaceleração Chinesa e Conflitos
Outro fator de atenção é a tendência de queda do consumo na China, reflexo do aumento dos custos de produção por lá. "A expectativa é que a China não cresça mais às taxas anteriores", afirmou Lamego. A estratégia para o mercado chinês, na visão da CNI, seria incluir uma agenda de transferência tecnológica nas negociações entre o Brasil e a China e garantir que investimentos chineses no Brasil tenham um componente de pesquisa e desenvolvimento.

Sobre os conflitos no Oriente Médio, o superintendente destacou o impacto direto nos preços de petróleo e diesel, o que deve forçar revisões no crescimento econômico global.

Oportunidades
O superintendente da CNI trouxe um senso de urgência para as empresas brasileiras em relação ao acordo do Mercosul com o mercado europeu. Segundo o executivo, o atual estágio do acordo entre União Europeia e Mercosul já abre portas imediatas para o setor produtivo nacional, com a permissão de entrada preliminar de 5 mil produtos do Mercosul na União Europeia, e, no sentido inverso, a entrada de 400 produtos europeus.

O executivo salientou a importância de a indústria catarinense "fazer a tarefa de casa", referindo-se à necessidade de adaptação das empresas brasileiras aos padrões exigidos e a proatividade na busca por esses novos parceiros comerciais.

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

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