Rio do Sul, 15.12.2025 - Por diferentes motivos, nem todos conseguem concluir os estudos dentro da faixa etária recomendada. Em Santa Catarina, por exemplo, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), feita pelo IBGE, mostrou que em 2024 cerca de 42,4% da população com 25 anos ou mais não tinha a educação básica completa.
Para estas pessoas existem alternativas como a Educação de Jovens e Adultos (EJA) do SESI/SENAI. No Alto Vale do Itajaí, em 2025, 114 pessoas concluíram os estudos pela EJA, sendo 85 na EJA Profissionalizante e 29 no Ensino Fundamental e Ensino Médio (Reclassificação). Os alunos são das cidades de Presidente Getúlio, Ibirama, Rio do Sul e Taió e finalizaram não apenas a educação básica, mas também a qualificação profissional.
A duração da EJA é de 13 meses e as aulas são 80% a distância, com um encontro presencial por semana. Paralelamente, é realizada a Qualificação Profissional do SENAI, com duração de três meses. Os cursos oferecidos neste ano - Operador de Computador, Assistente Administrativo, Programador e Controlador de Produção - foram escolhidos para facilitar a inserção dos estudantes no mercado de trabalho e melhorar o desempenho dos que já estão empregados.
Além de beneficiar os trabalhadores, a EJA também atende às necessidades das indústrias do Alto Vale por pessoas qualificadas para melhorar a produtividade e a competitividade. Inclusive, existe a possibilidade de atendimento de turmas na própria empresa, em parceria com prefeituras ou em unidades do SESI/SENAI instaladas em municípios do Alto Vale.
Inovação na Educação de Jovens e Adultos
Um dos diferenciais do programa é o Reconhecimento de Saberes. Esta metodologia valoriza os conhecimentos e habilidades que os participantes já adquiriram ao longo da vida – seja no trabalho, em casa ou em outras experiências.
"A possibilidade de validação do que eles já sabem permite maior agilidade na formação. As áreas reconhecidas são certificadas e a pessoa cursa apenas as disciplinas que ainda faltam para concluir o nível de ensino em que está matriculado", explicou Rodrigo Silva, supervisor de Educação da Escola SESI.
A EJA cumpre três fundamentos e funções distintas e complementares das Diretrizes Curriculares Nacionais: Reparadora (restaura o direito à educação), Equalizadora (restabelece a trajetória escolar) e Qualificadora (propicia a atualização de conhecimentos e a qualificação profissional).
Entre pausas e retomadas
Aos 57 anos, Aurélio Agnaldo dos Santos concluiu o Ensino Médio pela Educação de Jovens e Adultos após uma trajetória marcada por interrupções e recomeços. Ele deixou a escola aos 18 anos, quando concluiu a oitava série, e ainda tentou retomar os estudos aos 20, mas permaneceu apenas por meio ano. Mudanças de município e a necessidade de conciliar trabalho e estudo acabaram adiando, por décadas, a conclusão da formação.
O retorno aconteceu em 2023, período em que Aurélio morava em Rio do Sul. Durante o curso, ele se mudou para Agronômica, o que quase o levou à desistência. O incentivo da equipe escolar, que manteve contato e o estimulou a continuar, foi decisivo para que seguisse até o fim. Além disso, ele precisou superar dificuldades com o uso de tecnologias, já que não tinha familiaridade com computadores, recorrendo com frequência ao apoio da escola e do filho, estudante do sétimo ano.
Durante a formação, Aurélio também passou por um momento delicado na vida familiar, ao acompanhar o tratamento de saúde da esposa, que enfrentou um câncer. Mesmo com as ausências necessárias, conseguiu recuperar as aulas. Já aposentado, mas ainda em atividade profissional, ele celebra a conquista.
“Terminar o segundo grau era um objetivo que eu tinha há muito tempo”, afirma Aurélio, ao definir a formatura como a realização de um sonho antigo.
Já Fabiano Castelani, de 31 anos, morador de Presidente Getúlio, concluiu o Ensino Médio motivado pelo desejo de construir um futuro diferente daquele que viveu na infância. Ainda criança, ele e os irmãos passaram a morar em um lar de acolhimento, onde permaneceram até completarem 18 anos. Ao deixar o abrigo, precisou assumir responsabilidades, buscar trabalho e tentar conciliar a vida adulta com os estudos.
Nesse período, Fabiano chegou a cursar parte do Ensino Médio, mas interrompeu a formação no segundo ano, por causa de dificuldades. O retorno à escola aconteceu no ano passado, impulsionado pelo objetivo de cursar uma faculdade e ingressar na Polícia Federal. Durante o curso pela EJA, enfrentou um problema de saúde que o impediu de frequentar a escola presencialmente por um período.
Mesmo afastado, recebeu apoio da equipe escolar, que o acompanhava remotamente e lhe enviava os materiais para estudar em casa. Pai de dois filhos, Fabiano afirma que a educação é um compromisso com o futuro da família.
“O que eu passei na infância não quero que meus filhos passem, por isso estudo para eles terem uma vida melhor que a minha.” Para ele, o diferencial da EJA está no cuidado com o aluno. “É difícil ter uma escola assim, que leva as coisas pro aluno poder estudar,” comenta Fabiano.
Com informações de Assessoria de Imprensa FIESC Alto Vale do Itajaí
